A acalasia é um distúrbio motor raro do esôfago que compromete a passagem dos alimentos até o estômago. Quem convive com a acalasia costuma relatar dificuldade progressiva para engolir, regurgitação e perda de peso, sintomas que muitas vezes são confundidos com refluxo. Identificar a doença cedo faz toda a diferença para preservar a qualidade de vida e evitar complicações como desnutrição e pneumonia por aspiração.
O que é a acalasia
A acalasia ocorre quando o esfíncter inferior do esôfago não relaxa adequadamente durante a deglutição e os movimentos peristálticos do órgão se tornam ineficazes. Como resultado, o alimento se acumula no esôfago em vez de descer com naturalidade até o estômago, provocando uma dilatação progressiva do órgão. A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas envolve a degeneração de neurônios da parede esofágica que regulam a contração muscular. Em algumas regiões, a doença de Chagas pode causar um quadro semelhante ao da acalasia, conhecido como megaesôfago chagásico.
5 principais sintomas da acalasia
Os sintomas costumam evoluir lentamente, ao longo de meses ou anos, o que retarda o diagnóstico. Entre os cinco sinais mais comuns estão:
1. Disfagia (dificuldade para engolir) tanto para alimentos sólidos quanto para líquidos, sintoma considerado o mais característico da acalasia.
2. Regurgitação de alimentos não digeridos, especialmente ao deitar, com risco de aspiração para os pulmões durante o sono.
3. Dor torácica, que pode ser confundida com problemas cardíacos e geralmente piora durante as refeições.
4. Perda de peso involuntária causada pela alimentação inadequada e pelo medo de comer.
5. Tosse noturna, pigarro e episódios repetidos de pneumonia, complicações decorrentes da regurgitação crônica.
Veja também o nosso conteúdo sobre refluxo gastroesofágico, condição com alguns sintomas parecidos, mas com tratamento bem distinto.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da acalasia combina avaliação clínica detalhada com exames específicos do aparelho digestivo. A endoscopia digestiva alta ajuda a descartar causas obstrutivas, como tumores e estenoses. O exame contrastado do esôfago revela o típico afilamento em “bico de pássaro” no segmento final do órgão, sinal muito sugestivo da doença. O padrão-ouro, no entanto, é a manometria esofágica de alta resolução, que mede as pressões e a coordenação dos movimentos do esôfago, confirmando o diagnóstico e permitindo classificar a acalasia em três subtipos, segundo a classificação de Chicago, fundamental para definir o tratamento.
Opções de tratamento
Não existe cura definitiva, mas o tratamento adequado controla os sintomas e melhora muito a alimentação. As principais alternativas são:
• Medicamentos relaxantes do esfíncter (nitratos e bloqueadores de canal de cálcio), indicados em casos leves ou em pacientes sem condições cirúrgicas.
• Dilatação pneumática endoscópica, que utiliza um balão para romper as fibras musculares do esfíncter.
• Aplicação de toxina botulínica, alternativa temporária para idosos frágeis.
• Miotomia endoscópica peroral (POEM), técnica menos invasiva que vem ganhando espaço.
• Cirurgia de Heller-Pinotti, geralmente realizada por videolaparoscopia, considerada o tratamento padrão para a maioria dos pacientes.
A escolha depende da idade, do estado geral do paciente, do subtipo da acalasia e da experiência da equipe cirúrgica. Você pode aprofundar o tema na página oficial da Federação Brasileira de Gastroenterologia, que reúne diretrizes nacionais sobre o aparelho digestivo.
Acompanhamento e prevenção de complicações
Após o tratamento da acalasia, o acompanhamento de longo prazo é fundamental, pois sintomas podem retornar com o passar dos anos. O paciente deve manter consultas regulares, refazer exames sempre que indicado e adotar hábitos alimentares saudáveis, como mastigar bem, comer devagar e evitar deitar logo após as refeições. O risco de câncer do esôfago é discretamente maior em portadores de acalasia de longa data, o que reforça a importância do seguimento.
Quando procurar um especialista
Dificuldade para engolir, regurgitação frequente e perda de peso sem causa aparente nunca devem ser ignorados. Procurar um cirurgião do aparelho digestivo ou gastroenterologista logo no início aumenta as chances de tratamento bem-sucedido. Na Gastromed, a equipe avalia cada caso de forma individualizada, define o exame mais indicado e propõe a melhor estratégia para tratar a acalasia com segurança, qualidade e foco na recuperação completa do paciente.
