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Critérios Para Indicação de Cirurgia

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Quando as modalidades de tratamento clínico da obesidade forem ineficazes, o sub-grupo de pacientes com obesidade mórbida deve ser considerado para o tratamento cirúrgico, visto que, apesar de sua natureza invasiva, a cirurgia bariátrica tem demonstrado taxa de sucesso consistente em conseguir e manter a redução de peso a longo prazo.

 

O tratamento cirúrgico não é um procedimento cosmético e não envolve a remoção cirúrgica de tecido adiposo. Os princípios da cirurgia bariátrica envolvem a redução do tamanho do reservatório gástrico associado ou não a procedimento de indução de má-absorção. Como resultado do tratamento cirúrgico, o hábito alimentar do paciente melhora, reduzindo a ingestão excessiva, assegurando que o paciente vai comer em pequena quantidade e mastigando bem cada porção de alimento.

 

Os critérios para indicação cirúrgica da obesidade foram definidos pelo Painel da Conferência de Desenvolvimento de Consenso do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos em 1991 e incluem os pacientes com um IMC > 40, pacientes com IMC > 35 que apresentem co-morbidade cardiopulmonar grave ou diabetes severa e ainda pacientes que avaliados por médico experiente em matéria de tratamento da obesidade, tenham pequena probabilidade de sucesso com medidas não-cirúrgicas.

 

Pode-se admitir hoje em dia a cirurgia metabólica para pacientes com Dabetes Mellitus severa tipo II e IMC entre 30 e 34,9. Esta indicação vai depender de uma avaliação multiprofissional

 

Além dessas indicações, todos os pacientes com morbidade significante e diretamente relacionada ao excesso de peso devem ser considerados de modo individualizado para o tratamento cirúrgico. Operações abdominais prévias ou procedimentos bariátricos prévios não são considerados contra-indicações cirúrgicas. São contra-indicações absolutas para tratamento cirúrgico a dependência química e o abuso de drogas, falta de colaboração por parte do paciente e algumas doenças psiquiátricas (esquizofrenia, desordens psiquiátricas limítrofes e depressão não controlada).

 

Pacientes com síndrome de obesidade terminal (diabetes grave + hipertensão não controlada + hiperlipidemia ) devido à sua delicada condição de saúde devem ser internados no pré-operatório para tratamento das complicações, de modo a diminuir o risco cirúrgico.

 

A abordagem do paciente deve ser realizada por equipe multidisciplinar envolvendo endocrinologista, nutricionista, psicólogo ou psiquiatra e cirurgião, todos com experiência e interesse no tratamento da obesidade. A abordagem inicial deve envolver um programa de educação com aconselhamento sobre dieta, mudança de hábitos alimentares, estilo de vida e programa de exercícios, além de prever um acompanhamento de longo prazo, mais intenso nos primeiros meses, e anos de pós operatório.

 

A redução de peso conseguida com a cirurgia bariátrica deve ser medida em termos percentuais comparando o excesso inicial de peso da paciente com relação ao seu peso ideal e não em termos de redução absoluta no peso pré-operatório. Essa informação deve ser passada de modo claro e repetido aos pacientes que serão submetidos a uma operação para tratamento da obesidade.

 

Tomando como exemplo um paciente que pese cerca de 140 kg no pré-operatório, nesse paciente se espera um peso pós-operatório de cerca de 90-100 kg. Levando em conta uma redução esperada de 50-60% do excesso de peso pré-operatório o peso a ser alcançado seria de 70-80 kg de peso no pós-operatório, porém isto não é necessário, já que o que se busca é o peso ideal!

 

Com as operações atuais, a disposição da cirurgia bariátrica e o emprego de uma equipe multidisciplinar no pré e pós-operatório, deve-se esperar uma redução média do excesso de peso corporal e uma redução média do IMC de 10Kg/m2 nos primeiros 12-24 meses do pós-operatório. Os estudos a longo prazo mostram uma tendência leve de aumento de peso (5-7Kg) após os dois primeiros anos, porém mantendo o peso ideal.